
Ano Novo, Casa Nova
Depois de muito teimar com o Zip.Net, nossa confraria arrumou as malas e está de mudança para o WordPress.
Com essa mudança pretendemos oferecer uma melhor navegação, um lay-out mais amigável, sistema de busca e novidades que vão sendo reveladas quando aprendermos a mexer nesse trem!!
Tivemos o cuidado de postarmos TODOS os textos anteriores, porque o passado nos contenta e agora você pode muito mais rapidamente saber o que escrevíamos antes.
Ficaremos felizes com a opinião e novas sugestões de vocês...
http://osincomodados.wordpress.com/
Passe lá, a casa agradece!
Escrito por Os Incomodados às 12h26
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2008 não para de trazer boas novas...
Estamos em festa!!
Escrito por Os Incomodados às 14h39
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O mundo é muito mais bem-vindo com a chegada do Gabriel...
Escrito por Os Incomodados às 09h52
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A tecnologia do abraço
"O matuto falava tão calmamente, que parecia medir, analisar e meditar sobre cada palavra que dizia...
- É... das invenção dos homi, a que mais tem sintido é o abraço.
O abraço num tem jeito di um só aproveitá! Tudo quanto é gente, no abraço, participa uma beradinha... Quandu ocê tá danado de sodade, o abraço de arguém ti alivia... Quandu ocê tá cum muita reiva, vem um, te abraça e ocê fica até sem graça de continuá cum reiva... Si ocê tá feliz e abraça arguém, esse arguém pega um poquim da sua alegria... Si arguém tá duente, quandu ocê abraça ele, ele começa a miorá, i ocê miora junto tamém... Muita gente importante e letrado já tentô dá um jeito de sabê purquê qui é qui o abraço tem tanta tequinologia, mas ninguém inda discubriu... Mas, iêu sei! Foi um ispirto bão de Deus qui mi contô... Iêu vô contá procêis u qui foi quel mi falô:
O abraço é bão pur causa do Coração... Quandu ocê abraça arguém, fais massarge no coração!... I o coração do ôtro é massargiado tamém!Mas num é só isso, não...
Aqui tá a chave do maió segredo de tudo:
É qui, quandu nois abraça arguém, nóis fica cum dois coração no peito..."
Nota da Redação:
As devidas áspas foram adcionadas ao texto
Escrito por Os Incomodados às 01h31
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Reencontros
Era verão e o Brasil seria tetra no inverno. O ar laranja de fim de tarde brincava com maré que baixava. A sensação de conforto quente do sol nas costas seria brevemente interrompida por mais uma ironia divina.
Lembro-me perfeitamente da imagem da minha irmã chorando, na ponta da praia, em frente ao nosso chalé, abraçada com a minha tia. Oras, seria o namoradinho de uma noite de verão? Seria alguma chatice da minha prima? Ou senão, algum babaca o motivo daquelas lágrimas? Não, não era. E o choro convulsivo anunciava o que estava por vir.
Fui em sua direção, chutando a areia e pisando leve, perguntei em tom quase jocoso o que tinha acontecido...
-Teu pai caiu nas pedras!
BLAHMM! Chuva torrencial de pensamentos!
Como assim pais se machucam? Por que era logo ele o motivo daquelas lágrimas? Férias de verão não são perfeitas? O meu pai? Não! Pode ser?
Caminhei pela trilha que levava às pedras e percebi que o ar me faltava não pela subida do morro, mas por medo! Um medo que nunca experimentei novamente. Mais forte que qualquer droga que correu meu sangue, o medo de perder meu pai naquelas circunstâncias me apavorava e tornavam minhas pernas bambus verdes ao vento.
Meu pai havia caído nas pedras! Na Piscina Natural. Formação rochosa pouco avançada em relação ao morro que evitava a entrada das ondas. Meu pai tinha feito um pulo mal sucedido do coqueiral, o ponto mais alto, onde é preciso pegar impulso para passar as pedras e chegar na água. Faltou força e inteligência, ele caiu em uma pedra chapada e larga, por sorte não rolou ao mar. Sorte? Hunf, o redemoinho de sentimentos seguia crescendo...
Todos corriam e gritavam, não o vi, um grupo de pessoas estava prestando-lhe os primeiros-socorros. Minha mãe apareceu e mandou-me sair dali, seus olhos pesaram sobre minha pouca pessoa, e percebi então a gravidade da situação.
Voltei à praia, passando pela pequena multidão de curiosos, meus soluços desesperados entregavam meu parentesco com o acidentado e abriam caminho entre as pessoas. Alguém, não me lembro quem, me mandou correr até um jet-ski que estava parado na praia, para pedir que avisasse a guarda costeira, o resgate, a polícia, o papa, sei lá! Corri, sem me importar com a areia dura, os pés descalços ou meus pulmões queimando. Talvez uns 50 metros antes de chegar o jet-ski e seu tripulante foram em direção ao mar. Minhas pernas pequenas não foram capazes de entregar minha súplica. Agora era eu que chorava em frente à Iemanjá pedindo a Netuno não levar meu pai. Não seria justo, ele ainda ia precisar a me ensinar a dirigir, conhecer meu filho, levar minha irmã pro altar. Pensar na possibilidade da morte de meu pai, aos onze anos de idade foi uma das coisas mais gigantes que lidei até hoje. A maresia nunca esteve tão densa, tão densa.
Queda, fraturas, maca e colete, bote salva-vidas, helicóptero e hospital, tudo não levou mais que duas horas, deixando aquele vazio trágico. Todos, naquele dia, saíram da pequena faixa de areia antes do sol se pôr, em silêncio.
A noite veio, e a notícia de meu pai em observação no hospital não trouxe o sono. Do chalé, as ondas iam e vinham como os pensamentos na minha cabeça. Ora ruins, ora otimistas. Aquela foi talvez, a primeira noite que passei acordado, em vigília, com medo que os ventos trouxessem más notícias.
Meu pai ficou internado dois dias em São Sebastião, o santo dos enfermos e mártires, depois foi transferido para São Paulo e minha mãe o acompanhou. Fato que obrigou eu e minha irmã a ficar na praia com minha tia. Às vezes voltava nas pedras e tentava entender o que tinha acontecido, ouvia os comentários do "cara que morreu" pulando ali. Tinha vontade de falar que o pai era meu, que estava vivo e iria voltar a andar, mas quem se importava, já tinha virado lenda.
Somente um mês depois pude visitá-lo no hospital, meu tio falava sem parar durante todo a serra, coisas a esmo e eu só pensando com estaria meu pai. Trânsito, hospital, elevador e o corredor mais longo e angustiante que já caminhei até a porta do quarto 1012. Ali, com as duas pernas fraturadas, sem barba e com novas cicatrizes no rosto mal reconheci o meu pai, fui em sua direção e ele me abraçou. Vivo, e bem ele me disse "Oi, filho!" e novamente em seu colo eu chorava, o choro aliviado do filho que reencontra seu pai. O meu pai.
Escrito por Os Incomodados às 13h25
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Morada Boa
Entre tantas ofertas, visitas e desilusões encontrei minha morada. Se estivesse procurando não tinha visto. Foi desses encontros que basta caminhar leve para que aconteça. Quando reparei já estava de mudança para o seu mundo.
O lugar que encontrei meu acalanto é bem iluminado, amplo e aconchegante. Do seu passado pouco sei. Dos antigos moradores, nada. Vez ou outra aparece uma mancha ou um taco solto, mas nada assustador. Vazamento eu ainda não vi, embora com o tempo isso possa vir a acontecer. Nada também que eu não esteja preparado.
Os móveis do passado ficaram para trás e lentamente escolho os objetos que vão ornamentar minha nova vida. Essa amplidão trás luz. E luz me trás alegria.
No espaço deixado pela falta de preocupação, danço solto e livre como se ninguém estivesse olhando.
Os dias passam preguiçosos e fico mais e mais à vontade no ambiente, como se habitasse esse mundo há muito tempo. Estranha essa noção de pertencimento quando encontramos algo que parecia já ser nosso antes. Os planos vem fáceis e sem medo.
Ali vejo uma longa mesa, os amigos bebendo e conversando. Logo depois, um sofá e uma tarde tentadora. A poeira protegendo a pilha de vinis. Palavras espalhadas por toda a casa e uma chaleira assobiando.
Desde que me mudei não sei ao certo o que era meu antes e o que aprendi com a mudança. Só sei que habitar esse cantinho tem me feito bem, muito bem. É só lembrar de manter a janela sempre limpa para a luz entrar, ter espaço para dançar e brincar despretensiosamente e tomar cuidado para que nada de mal se aproxime, porque a morada é boa e a Casa é Grande.
Escrito por Os Incomodados às 01h46
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Escrito por Os Incomodados às 03h33
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Por Que Clássico é Clássico!!!
O que dizer desse clássico, se não que foi um jogão.
90 minutos de jogo, 10 de acréscimo, 5 em cada tempo.
Foi o melhor jogo que já participei até hoje.
Era como uma decisão de campeonato.
Cada um jogava com o que tinha de melhor.
Cada drible, cada obstáculo, cada passe sendo exatamente sincronizado, e os chutes a gol então, esses eram impecáveis...
O primeiro gol, nossa, não da pra esquecer, esse vai ficar na memória para sempre.
Não tinham se passados 10 minutos, mas foi como se tivesse passado 1 ano.
Um chute vindo de fora da área, depois de driblar quase todo o time adversário, entrando no canto superior esquerdo... simplesmente perfeito.
Comemoramos como nunca, era um êxtase de sensações que faziam nossos corpos vibrarem de tanta alegria.
Finalmente estávamos ganhando, o jogo era nosso, mas não podíamos relaxar, nós jogávamos como se o jogo fosse durar para sempre, e queríamos que fosse uma goleada.
E foi mesmo, durante o jogo inteiro jogávamos perfeitamente, sem erra um passe, sem perder uma bola.
Cada gol sendo comemorado como uma vitoria particular. Era como se estivéssemos sincronizados com o relógio, a cada 10 minutos fazíamos um gol.
Era para ser um jogo perfeito, até o momento final....
No último minuto dos acréscimos, o time adversário chega pela segunda vez ao nosso gol. Eles chutam....é gol.
Foi como uma derrota para nosso time.
9x1
Esse foi o placar do jogo.
Saímos de cabeça baixa, como se tivéssemos perdido tudo.
Nosso time nunca mais jogou, cada um foi para um canto, outros times, outros jogos.
Hoje olho para trás e me recordo dele com carinho, de como lutamos, da dedicação de cada um, da maneira que mudamos o nosso estilo para confundir o adversário.
Como valeu a pena aquele esforço...
Como era bom...
Hoje jogo outros jogos, venço alguns, perco outros, mas sei que um dia jogarei novamente como joguei aquele jogo, afinal, jogo é jogo, mas Clássico.......
Clássico é sempre um Clássico.
Escrito por Os Incomodados às 17h33
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Sua família o aguarda ansiosamente...
Escrito por Os Incomodados às 11h22
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REFLEXÃO DE UM SEGUNDO (10)
Nasci menino, cresci criança, apareci jovem, chorei homem. E o que mudou em mim?
Escrito por Os Incomodados às 13h10
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A vida é mais rápida que um click. Você pode guardar um momento, mas só se estiver lá para registrar.
E você tem ido buscar esse momento?
Minha filosofia pode ser vã, mas todos trazem no coração essa vã filosofia. Pense em cada momento que deixa passar pelo medo, pelo tempo, pela hora. Nunca é tarde, nada é mais importante que a companhia das pessoas que você ama. Não tem dia, não tem noite, mas mesmo falando, pensando e concordando não vamos fazer isso. Vamos trocar muitos momentos por coisas fúteis.
Que tal aproveitar as coisas fúteis com as pessoas que ama?
Existe um erro em seu pensamento, aliás, esse pensamento é só mais uma de tantas desculpas baratas que a gente arruma para justificar nossa ausência, nosso erro. Quando não temos saida sempre falamos a mesma coisa:
-Mas o que é fútil pra você pode não ser pra mim.
Odeio essa desculpa. Mas é a vida...
Escrito por Os Incomodados às 12h29
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Batalhas
Lá estava ele, Sentado ao lado de uma estatua, e nem ao menos tinha olhado direito para ela, apenas sabia que se tratava de uma mulher, talvez uma Deusa. Ele levantou os olhos para ver se reconhecia aquela imagem, ela era esplêndida, rica em detalhes e olhava para aquele guerreiro com ternura e compaixão.
Ele ficou lá, olhando a imagem, vendo sua face magnífica que transparecia uma calma e suavidade que em poucos lugares encontramos, ela tinha lábios carnudos sobre um queixo forte e maciço, seus olhos tinham algo incomum para ele, um mistério que tinha que ser revelado. Seus cabelos caiam ondulados sobre o ombro até a cintura dando uma suavidade que as mulheres que a vissem sentissem inveja, os braços estavam pousados suavemente junto ao corpo como se para prender o vestido que sairia voando a primeira brisa matinal e seu corpo possuía um movimento que fazia os espíritos dos homens se agitarem e crescer. Ela era linearmente esculpida para ser a mulher perfeita, dava quase para ver através de seu vestido de pedra o seu corpo nu, como se te convidasse a ficar junto a ela.
– Quem teria feito tal obra? – pensou o guerreiro – Quem seria essa Deusa de beleza incomparável?
Ele estava fascinado, ela lhe trazia um conforto e uma força que ele estava precisando depois de todas as batalhas dos últimos meses. Ele já havia perdido o número de batalhas em que estivera no último ano. Mas para ele isso não importava mais, a sensação que aquela mulher passava era reconfortante, como se tudo fosse dar certo agora, os Deuses tinham um plano para ele, e ele havia passado no teste, agora era apenas receber o reconhecimento por que tanto lutou. Eles se sentou aos pés daquela imagem para afiar sua espada com uma pedra que acabara de encontrar. Tinha que tirar todas as imperfeições que a ultima batalha trouxera.
Ele gostava daquela espada, pesava menos de 1 kg, tinha mais de 1 metro, era feito de aço e não de bronze ou qualquer metal de menor qualidade. Aquela espada já lhe salvara a vida diversas vezes, ele achava que ela tinha vontade própria, pois seu pensamento em uma batalha mal chegava a vislumbrar um raciocínio e a espada já estava indo naquela direção, perfurando ou rasgando o inimigo até a morte, nunca deixando um sobrevivente que passasse por sua lâmina. Ela lhe fora ofertada pelo seu pai, no dia de seu nascimento, ele sempre falou ao filho que ele seria um vencedor e que aquela espada o faria transpor qualquer obstáculo. Os homens com que lutou sempre falaram que ele era bom ou que tinha reflexos de um animal ao qual nunca se lembrava o nome, apenas sabe que é um grande gato, mais ou menos 10 vezes maior que um gato normal, mas ele nunca achou que tal animal existisse. Aquele guerreiro era diferente, ele nunca pensava antes de uma batalha, apenas colocava a espada em uma mão e o escudo em outra e ia de encontro aos oponentes. Seu pai era o único que lhe repreendia, dizia que ele era inconseqüente ao atacar, que sempre tinha que pensar em uma estratégia antes de um combate. Ele achava que provavelmente o velho estava certo, mas não se preocupava em seguir seus conselhos, afinal, ele estava se saindo bem até agora.
Esse pensamento lhe passou a mente e ele pensou em sua casa, seus pais, seus amigos.... a quanto tempo ele saíra de casa para lutar desesperadamente, para se tornar um homem, um grande guerreiro que não teria medo de nada nem de ninguém.... fez as contas mentalmente e viu que faziam 10 anos que não ia para casa, saiu ainda moleque, com seus 17 anos... é verdade que muitos saem antes para a batalha, mas ele achava que tinha saído na hora certa. Pensou em sua ultima batalha, já fazia uma semana que estava fugindo de seus perseguidores, eles haviam dizimado seu exercido, não dando chances de se defenderem. Foi por puro milagre e descuido do inimigo que agora ele estava vivo. Seus ferimentos na perna direita eram profundos, e o golpe que levou na cabeça ainda latejava. Foi uma sorte o oponente ter acertado o elmo dele tão displicentemente, ele abrira um buraco em sua cabeça, mas ele ainda estava vivo.
Pensou em seus amigos, aquele grupo com quem sempre esteve eram os melhores lutadores que ele conhecia, irmãos que sempre o apoiaram e que lutavam juntos todas as batalhas. Se eles estivessem ali eles teriam com certeza derrotado o inimigo, eram apenas 4 amigos, mas lutavam como um exercito inteiro. Ficou pensando nisso um longo tempo, do qual não dispunha, os rastreadores estava em seu encalço, e ele teria que fugir antes deles chegarem se não seria o seu fim.
– Que lugar é esse, que me leva a ter pensamentos que eu nunca tive? Desejar estar na companhia de meus entes e amigos? Sai de casa para aprender sozinho a virar um homem e quando me encontro sozinho o que mais desejo é estar em casa.
Ele terminou de afinar sua espada, apertou as sandálias e tomou o restante de água que havia em seu cantil. Não comia a dois dias, e sua ultima refeição tinha sido um pedaço de carne de carneiro que o exercito fornecia para longas jornadas, a carne era salgada e seca para evitar que se estragasse rapidamente, tinha gosto de coisa velha e depois de certo tempo começava a ficar apodrecida, mas naquele momento ele desejou ter um punhado daquela carne para preencher o vazio da sua barriga.
Quando estava finalmente se preparando para partir ele ouviu barulho de sandálias vindo em sua direção. Os perseguidores o haviam alcançado. Se escondeu o mais rápido que pode atrás da imagem da mulher, ela ainda lhe dava proteção e ele se sentia calmo ao lado dela, pensou que ela o protegeria, mas aquela imagem apenas tinha despertado pensamentos em sua cabeça, ela não se moveria para esmagar seus perseguidores
- Bem, este é um ótimo lugar para se morrer, pelo menos aqui eu tenho a paz que eu quero, e se é para morrer, levarei ao menos um deles comigo. – pensou consigo mesmo.
Seus atacantes pararam para tomar água e começaram a conversar, a língua era estranha para ele, mas ele sabia de alguma maneira que estavam falando que seus rastros acabavam naquela imagem. Os perseguidores entraram em formação de ataque, eram apenas 5 deles, três de um lado e dois do outro, pensou em seu pai e nas lições que havia lhe dado sobre estratégia.
- Garoto, preste atenção ao que eu digo, escolha um terreno favorável a você, de preferência um onde você se encontre em posição elevada ao oponente, assim você terá uma vantagem sobre eles mesmo estando em menor número. Veja se o terreno tem a terra firme, nunca fique em um terreno arenoso ou lamacento, a dificuldade de se locomover nestes terrenos pode te levar a morte. - Procure sempre atacar o ponto mais fraco da formação inimiga, aquele que esta com os homens não tão unidos e com cara de apavorados, mostre sua força ao atacar este lado, assim os outros irão temer sua força.
Ele analisou rapidamente os aspectos do terreno por onde os opositores estavam dando a volta na imagem, percebeu que por toda a volta o terreno era de areia, e viu que mais para perto da imagem a areia era mais batida. Decidiu ficar sempre encostado na estatua, assim ela o protegeria e ele teria a vantagem de estar em uma terra mais firme. Quando os rastreadores já estavam quase para velo do outro lado da imagem, ele saltou para cima dos dois que vinha do lado esquerdo, deixando os três do lado direito para depois. O grupo tinha se dividido bem, os dois que aparentemente eram os mais fracos, não se assustaram com seu ataque repentino, apenas desviando seu golpe de espada quando ele deu uma estocada no primeiro que aparecia a frente. O segundo oponente veio pra cima dele com displicência e quando atacou o corpo a sua frente este já não estava mais lá, o guerreiro já tinha se desviado para o lado e girado seu corpo e sua espada para enfiá-la no peito do homem. Ele ainda conseguiu ver a expressão de desespero no homem enquanto seu corpo desmoronava sem vida. O primeiro oponente veio para cima dela com muito mais cautela, mostrava ser um homem experiente de muitas batalhas, analisava cada passo dado pelo guerreiro, eram dois homens bem treinados, mas o guerreiro sabia que era apenas uma questão de segundos até os outros três rastreadores chegarem até eles, tinha que agir rápido se quisesse sobreviver. O homem a sua frente começou a dançar com a espada em nas mãos, fazendo todo o seu corpo fluir junto com aqueles movimentos estranho. Quando o homem veio para cima dele, dançando com a espada e com as pernas, ele apenas conseguia desviar seus golpes no ultimo instante, era uma arte fluida que seu oponente usava, ele nunca tinha visto tal estilo de luta, sabia que seria difícil vencê-lo. Fez um movimento rápido para estocar seu oponente mas ele não se encontrava mas onde sua espada estava. O homem veio da sua esquerda levantando sua arma pronto para uma decida rápida, o guerreiro se desviou e impediu como se o movimento continuasse o mesmo a espada de seu inimigo apenas mudou de direção, vindo agora de baixo para cima em um movimento continuo. O choque dos metais foi a única coisa que indicou que ele havia aparado o golpe. O guerreiro olhou seu oponente e que agora estava fazendo um movimento circular com a espada e estocou novamente, no meio do movimento levou uma pancada na cabeça e caiu inconsciente no chão.
Quando acordou sua cabeça latejava, com sangue coagulado onde tinha sido atingido. Ele mal conseguia abrir os olhos, mas quando os abriu um dos quatro rastreadores veio até ele. Este falava sua língua.
- Você é o comandante da tropa de enfrentamos a uma semana? O Guerreiro assentiu com a cabeça - Meu capitão vai gostar de torturá-lo comandante.
O Comandante caiu inconsciente novamente. Ele olhou em volta e se viu em sua fazenda, amarado com os pés e as mão juntos. Era um treinamento que seu pai estava aplicando nele, ele já tinha vivido aquilo. Se lembrou do que seu pai lhe falou naquela situação.
- Se você for feito prisioneiro estará perdido, leve sempre com você uma pequena adaga para que possa cortar as cordas que te prendem. Olhou para o lado e viu seu amigo. Eles se conheciam desde a infância e tinham passados varias experiências juntos.
- Seu maior erro é querer chegar ao fim sem prestar atenção ao meio do caminho, ouça o que seu pai diz, ele é um grande guerreiro e pode lhe dar boas instruções. Você nunca conseguira derrotar seus inimigos e chegar ao final do caminho sem um plano de ação ou sem viver o que o momento te traz.
Ele vagou novamente pelo mundo da escuridão e se viu preso novamente, mas agora os quatro rastreadores estavam dormindo. Viu três figuras brilhantes passarem a sua frente, eles caminharam até os rastreadores e cortaram-lhes a garganta enquanto dormiam, enquanto a quarta figura o soltava das amaras. O Comandante começou a sorrir, ele iria viver afinal. E quem os tinha salvo eram seus Amigos e seu Pai.
O mundo escureceu novamente.
Quando acordou os quatro rastreadores estavam comendo e bebendo vinho, todos já estavam bêbados e ele sentiu que seria a sua chance de fugir dali. Quando os quatro caíram no sono, despreocupados com o prisioneiro amarado a amordaçado, o comandante tirou de baixo de sua sandália um pequeno pedaço de metal, que sempre levava consigo por conselho de seu pai. Era o único conselho que seguia do velho, prometeu a sim mesmo seguir mais a fundo os conselhos dele e agradecê-lo quando possível.
Se levantou, caminhou silenciosamente até onde estavam os rastreadores e cortou a garganta de cada um, o ultimo deles ainda se levantou para atacar enquanto ele matava o terceiro. Era o mesmo homem que tinha lutado com ele mais cedo. O homem recomeçou a dança com os pés e a espada, sempre mantendo seus movimentos fluidos não indicando de onde viriam os golpes.
O comandante entendeu que com seu estilo de luta nunca conseguiria vencê-lo, então começou a imitar o sujeito, fazendo movimentos com os pés e as mãos, o sujeito a sua frente deu um riso de desprezo para ele e veio pra cima, mas quando atacou o comandante este já estava aparando o golpe e se preparando para o ataque. O sujeito se desviou um pouco tarde demais, deixando o comandante abrir uma corte em sua barriga enquanto deva dois passos para trás. Ele levou a mão a barriga e viu o sangue escorrendo e olhou assustado para o comandante, que já estava dançando novamente e vindo em sua direção. Quando o comandante chegou perto do oponente, ele pode sentir a raiva no homem e sabia que aquela luta estava ganha, ele seria imprudente mas cedo ou mais tarde.
O próximo movimento que fez foi vazio, deixando o oponente escapar com facilidade. Jogou o joelho ao chão fingindo ter escorregado e dando uma vantagem a seu oponente. Os olhos do rastreador brilharam de satisfação ao ver o comandante no chão, ele veio para cima do comandante com certeza de vitória, mas não esperava que aquele movimento fosse uma armadilha. O comandante deslizou para o lado quando sentiu o ataque e cravou sua espada na virilha do homem, que foi ao chão gemendo de dor. Quando o rastreador ergueu os olhos, viu o rosto do comandante a cima dele, com olhos negros a encará-lo enquanto enfiava a espada em seu peito.
O dia estava amanhecendo e ele tinha que ir embora antes que viessem os reforços. Olhou novamente para a imagem da mulher, achando-a ainda mais parecida com uma deusa, aquela bela imagem que ele ainda não sabia de quem era, mas que ele aprendera a amar em tão pouco tempo. Que pensamentos novos ela lhe trouxe a mente, quantas novas experiências ele tinha presenciado no curto período que ficou ao seu lado.
Olho para trás e ficou surpreso ao ver que haviam varias estatuas que ele já tinha passado, cada uma delas representava um momento, uma lembrança lhe vinha a mente, uma batalha e um aprendizado diferente. Entendeu tudo o que tinha acontecido com ele naquele lugar, onde aquela mulher que olhava para ele sem dizer uma palavra, mas que havia lhe ensinado tanto
- É apenas mais uma fase – murmurou consigo mesmo
Agradeceu a Deusa e prometeu nunca esquecer seus ensinamentos, se virou e começou a andar novamente.
Sabia que não viriam mais atrás dele, ele tinha aprendido o que era para ser aprendido ali, tinha uma nova experiência pela frente e estava cheio de animo e força, na verdade mas força do que se lembrava a muito tempo.
Estava pronto para novas batalhas, e queria tê-las.
Olhou para frente e sorriu, havia uma nova estatua a sua frente.......e aos pés da estatua havia um exercito e uma nova batalha a sua espera.
Escrito por Os Incomodados às 20h52
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Sino dos Ventos
- Quando eu crescer, quero ter uma casa bem bonita, com um sino dos ventos na varanda, trazendo prosperidade toda vez que fizer seu barulhinho agradável... – Pensou a menina, sonhadora.
E, continuando os devaneios, começou a imaginar como seria a casa dos seus sonhos...
- E eu também quero uma plaquinha bem bonita, dizendo: “Aqui mora gente feliz!”, para que todos saibam da minha felicidade! Ah!! E um tapete bem bonito na porta de entrada, para que os amigos sintam-se muito bem-vindos a este lar! Claro, minha casa tem que estar sempre cheia de amigos! Meus e do meu futuro amor, que hei de encontrar!
A cada dia, a menina sonhava acordada com sua casa, quando fosse gente grande, imaginando cada detalhe de como seria este lar.
- Quero também uma árvore bem bonita, porque além de ficar próxima da natureza, o verde traz esperança e alegria à casa. Uma árvore da felicidade!! E quem sabe um quadro na parede, com alguns escritos indicando felicidade e amor!
- E fotos, muitas fotos, de momentos marcantes e felizes, as fotos que quisermos colocar!! Sim, eu esqueci de pensar no mais importante, que se não existir, toda a beleza da casa não terá nenhum sentido... Quero um amor, daqueles bem reais, nada de contos de fadas... Um amor que multiplique comigo nossas alegrias e divida nossos sofrimentos. Um amor incondicional, que esteja comigo em todos os momentos. Com qualidades, defeitos e problemas a resolver, para que, a cada desentendimento, possamos nos fortalecer e ficarmos cada vez mais próximos!!!
- Um amor que me faça rir, mas também me faça chorar, contando suas histórias de vida e me fazendo juras de amor. Que não tenha medo de dizer o quanto me ama e o quanto procurou por mim todo este tempo... Sim, eu também estou procurando você! Mas quando será que vou achar? Quando, afinal, poderei compartilhar com alguém que realmente mereça, todo este amor que tenho em meu peito?
E acorda do sonho que a remetia a seu tempo de adolescência... Começou a se perguntar porque havia lembrado destes pensamentos, que já tinham sido deixados para trás há algum tempo, por não acreditar mais que o amor pudesse aparecer de verdade...
De repente, sente uma brisa em seu rosto e ouve um som metálico, se aproximando de si... Era o sino dos ventos, que finalmente havia chegado em sua vida...
Escrito por Os Incomodados às 16h24
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Spaghetti ao molho Almodóvar
Ângela vivia com a cabeça nas nuvens e o corpo no quinto andar de um prédio qualquer.
Tom realizava seus pensamentos em notas musicais e habitava a sétima escala do mesmo prédio ordinário.
Vicente achava que já tinha vivido tudo na vida e amargurava o cenário assistindo tudo pela janela do prédio da frente.
Mas eles não se conheciam ainda, nem tinham reparado em nada além dos poucos mais de 60 m² de seus kitnets, fato causado pelo hábito de reclamar da vida corrida. E é justamente quando estamos desatentos e sem acalanto que histórias de cinema acontecem.
Foi mais ou menos assim, um dia Ângela chegando em casa, cansada e estressada, sem pensar preparou alguma gororoba congelada e se pos a comer e sonhar com um amor como o de Rodolfo e Jade, o casal de “Chamas da Paixão”
Tom chegou praticamente no mesmo horário, voltava de um happy-hour, ainda alegre com alguns drinks na cabeça, tirou sua camisa, chutou o sapato para um canto e puxou sua companheira. Já tinha ela em suas mãos, beijou-a ainda com bafo do genérico maltês e se pôs a tocar em sua velha gaita um quase animado, um quase lamurio do Bob Dylan.
Vicente, sentado na janela, com um dos braços apoiados para fora estava absorto com o trajeto que a fumaça que seu cachimbo fazia, buscava formas que se repetiam, chegava a ficar irritado com o pouco vento por não deixar que isso acontecesse.
Não sei se foi o calor abafado que anunciava que a chuva chegaria antes da madrugada ou aquele instante que a cidade parece ficar suspensa como se o caos urbano parasse em um suspiro, só sei que as notas musicais de Tom foram escorrendo pela fachada do prédio, passaram pela janela do andar inferior e foram cair como goteira no para-peito da janela de Ângela. Aquele barulho externo chegou justamente quando Rodolfo, o galã, ia perder tudo, de novo, em mais um novo capítulo decisivo da novela. Ângela, apesar do calor, fechou a janela, ignorando as notas pingando e se trancou em seu mundinho de mais um trabalho-comida-congelada-novela-trabalho. Vicente, na janela em frente levantou a cabeça, reparou Tom dançando e tocando na sala de seu apartamento. Não sorriu ao vê-lo bêbado e cambaleante a dançar uma dança rouca, nem o maldizeu, apenas retornou para seu cachimbo que se apagara.
Mas o verão é teimoso e traz noites que se arrastam preguiçosas. Foi justamente em uma noite dessas típicas de verão tropical, com essas típicas chuvas tropicais que tipicamente teimam em cair na hora de voltar para casa que Ângela chegou com um vestido preto todo ensopado a lhe contornar a silueta. Desceu do salto, tirou o vestido, uma alça do soutien, outra alça, soltou aquele maldito fechecler e se deixou estar só. A sós e só de calcinha no sofá. Ainda cansada por ter corrido do ponto de ônibus até sua casa, adormeceu enquanto o sol se escondia atrás do prédio de Vicente.
Acordou no escuro sem saber que horas eram. O hábito levou sua mãos ao controle remoto. Não funcionou. Checou as pilhas. Nada. Tentou acender o abajur e não obteve resposta. Pensou em Rodolfo e no capitulo que perdia. Sem a iluminação interna, a cidade invadia a sala de Ângela por um feixe de luz laranja. Ângela se levantou, foi até a janela ainda só de calcinha viu seu quarteirão no escuro e amaldiçoou o possível gerador de luz que queimara. Com calor, não se incomodou com a gota de suor que lhe escorria. Caminhou cada passo até a cozinha pensando no que comer. Parou em frente à fruteira. Fez sua escolha e voltou. Deitou no tapete da sala já na segunda mordida da maçã. A tevê apagada refletia parte de seu corpo de finos traços. Ângela apoiou os pés na parede, as pernas afastadas, deixou a maça de lado e ficou à imaginar.
Tom chegou ainda mais desafinado neste dia, a chuva o fez ficar algumas saideiras a mais. Tirou a camisa, chutou o sapato em outro canto qualquer, parou em frente à estante, correu os dedos pelas prateleiras, sem nenhuma pressa e como um bom maestro escolheu sua dama. Abriu delicadamente os dois botões do estojo que protegia seu saxofone, envolveu em seu pescoço, trouxe o metal frio mais próximo do seu peito quente, abocanhou a extremidade e de maneira lasciva e se pos a tocar uma melodia frenética do mestre Coltrane. As notas batiam agudas, hora curtas, hora longas pela parede de sua sala. Tão logo aquele ambiente estava tomado, as notas foram em direção ao prédio de Vicente, que mal-humorado ecoou as notas fechando a janela, e assim de janela em janela, como se procurassem algo especifico, as notas chegaram novamente a janela de Ângela. Contemplaram Ângela em seu toque mais intimo. Encontraram em seu corpo febril a escala correta, a perfeita composição. E como todo bom Jazz, foi de improviso que romperam com a rotina harmônica de Ângela.
Escrito por Os Incomodados às 11h33
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Alô?
Alô. Quem fala?
Fala! Sou eu.
Pode Falar?
Posso.
Então, como vai ficar?
Não sei.
Que eco é esse?
É que estou ocupado.
Mas você disse que podia falar.
Disse que podia falar, não que não estava fazendo nada.
Mas e esse eco.
Já disse, tô ocupado.
Mas esse eco tá incomodando.
Tô cagando PORRA!!!
Escrito por Os Incomodados às 13h02
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